Edição:  56
30 / 10 / 2009

 

 

 

ASSUNTO DA EDIÇÃO - CORES

Essas diferentes freqüências de energia eletromagnética que são registradas pelos receptores de nossas retinas se chamam cores. Embora nem todos as distingam igualmente, fazem parte do equipamento básico de um grande número de seres vivos.

E, como tudo, tiveram que receber nomes para distingui-las. Pois vejamos de onde eles vieram em nosso idioma.

AMARELO – do Baixo-Latim hispânico amarellus, diminutivo do Latim amarus, "amargo". E o que é que uma cor tem a ver com um sabor, além da rima? É que o amarelo-dourado é a cor da bile antes de se oxidar e ficar esverdeada. E o seu gosto é muito amargo.

Que foi uma idéia estranha para escolher o nome, foi.

COR-DE-LARANJA – não é preciso explicar muito, né? Há quem a chame também de salmão, devido à cor desse peixe em determinado estágio de sua evolução.

O fato é que muitas cores acabam sendo nomeadas por comparação com as que predominam em certos objetos naturais.
O nome laranja vem do Sânscrito narang, o nome da fruta.

VERMELHO – do Latim vermis, “verme, pequeno animal". Parece outra relação estranha, mas tem uma explicação boa: houve época em que se fazia a extração de pigmento dessa cor de moluscos ou de cochonilhas. Agora, com os avanços da Química, esses pobres bichos foram deixados em paz.

ROXO – também chamado de violeta, obviamente por comparação com as pétalas dessa linda flor. O nome dela em Latim era viola, daí a palavra atual. E roxo é do Latim russeus, “vermelho-escuro".

Frederico Barba-Roxa era assim chamado porque tinha uma barba avermelhada, não roxa.

AZUL – vem do Persa lazward, "azul, lápis-lázuli (a pedra)".

VERDE – do Latim viridis, "verde", possivelmente derivado de uma palavra significando "planta que cresce", já que elas têm esses hábitos.

Até aqui, lidamos com as cores que são vistas facilmente num arco-íris completo. Mas há muitas outras, das quais citaremos algumas:

MARROM – do Francês marron, "castanha", de um radical pré-romano marr-, "pedra, rocha", por certo devido ao aspecto duro do fruto.

CINZA – do Latim cinis, "material sobrado de um processo de combustão, cinza".  Hoje é raro o uso do sinônimo gris, derivado do Francês gris, que veio do Frâncico gris, “cinzento".

BRANCO – do Frâncico blank, "claro, branco, brilhante".  Substituiu o Latim albus, de mesmo significado, que nos deixou palavras como alvo e alvacento.

PRETO – do Latim pressus, "apertado, denso, comprimido", de premere, “apertar, espremer". A noção é a de que se trata de uma cor (?) onde existe muito pigmento.

Pode-se também dizer negro, do Latim niger, "negro".  E não se esqueça: o superlativo desta palavra é nigérrimo, não negríssimo.

MAGENTA – este vermelho profundo recebeu o nome de uma cidade italiana. Em Magenta, em 1859, os austríacos foram batidos pela França e Sardenha; o pigmento anilínico dessa cor foi descoberto no ano seguinte. Talvez tenha havido alguma alusão ao sangue derramado no combate.

Esta cor também pode ser dita carmim, do Árabe kermes, um pequeno inseto que também teve o azar de produzir corante.

PÚRPURA – do Latim purpura, molusco do qual se extraía esse corante vermelho puxando para o roxo, chamado em Grego porphyros. Esse pigmento era tão caro que se reservava inicialmente apenas às vestes imperiais e depois a algumas eclesiásticas.

OCRE – este amarelo com tons de marrom vem do Grego okhros, "amarelo-pálido".

FÚCSIA – é um cor-de-rosa intenso, meio purpúreo, que existe nas flores da planta do mesmo nome. Foi dado em homenagem a Leonard Fuchs, botânico sueco do século XVI.

COR-DE-ROSA – já que acabamos de citar... Deriva do Latim rosa, do Grego  rhodon, "rosa".

 

 




Edições Anteriores
Edição 56: CORES 30 / 10 / 2009
Edição 55: CAMA 22 / 06 / 2009
Edição 54: EXTREMOS DE TEMPERATURA 25 / 04 / 2009
Edição 53: UM 14 / 01 / 2009
Edição 52: INSTRUMENTOS MUSICAIS 23 / 10 / 2008
Edição 51: MAIS DIVINDADES ANTIGAS AINDA EM NOSSO IDIOMA 01 / 09 / 2008
Edição 50: FORMAS MEDICAMENTOSAS 03 / 08 / 2008
Edição 49: NOMES DE PAÍSES EUROPEUS 29 / 06 / 2008
Edição 48: AINDA DIVINDADES ANTIGAS EM NOSSA VIDA 18 / 05 / 2008
Edição 47: FALANDO MUITO 14 / 04 / 2008
Edição 46: CRIMES 09 / 03 / 2008
Edição 45: AMÉRICA CENTRAL E DO NORTE 01 / 02 / 2008
Edição 44: NOMES DE PAÍSES 06 / 01 / 2008
Edição 43: COISAS OCULTAS II 21 / 11 / 2007
Edição 42: GADO I 18 / 10 / 2007
Edição 41: MATERIAL AUTOMOTIVO 2 14 / 09 / 2007
Edição 40: MATERIAL AUTOMOTIVO 1 05 / 08 / 2007
Edição 39: CONTINENTES 07 / 07 / 2007
Edição 38: UNIDADES DE MEDIDA 12 / 06 / 2007
Edição 37: CONTAS 15 / 05 / 2007
Edição 36: ATIVIDADES CULINÁRIAS 19 / 04 / 2007
Edição 35: O DIABO 13 / 03 / 2007
Edição 34: FORÇAS OCULTAS 03 / 02 / 2007
Edição 33: ACENTOS, ETC. 05 / 01 / 2007
Edição 32: ESPORTES 10 / 12 / 2006
Edição 31: OS DESAFETOS 15 / 11 / 2006
Edição 30: CARTAS 30 / 09 / 2006
Edição 29: GEOMETRIA 24 / 08 / 2006
Edição 28: MORTE 21 / 07 / 2006
Edição 27: CRIMINOSOS 20 / 06 / 2006
Edição 26: OUTRAS BEBIDAS 25 / 05 / 2006
Edição 25: BEBIDAS: VINHO 21 / 04 / 2006
Edição 24: PRIMEIRO 23 / 03 / 2006
Edição 23: VELAS, CANDIDATOS, INOCÊNCIA 19 / 02 / 2006
Edição 22: ESTÁTUA 18 / 01 / 2006
Edição 21: FÁBULA 19 / 12 / 2005
Edição 20: PODER 26 / 11 / 2005
Edição 19: DESTRUIÇÃO 04 / 11 / 2005
Edição 18: MÓVEIS DOMÉSTICOS 19 / 10 / 2005
Edição 17: COISAS BOAS 27 / 09 / 2005
Edição 16: CULPA E CULPADOS 09 / 09 / 2005
Edição 15: MENTIRAS 22 / 08 / 2005
Edição 14: MORADAS 27 / 07 / 2005
Edição 13: NASCIMENTOS 04 / 07 / 2005
Edição 12: PEDRAS PRECIOSAS 13 / 06 / 2005
Edição 11: NAS FOR?AS ARMADAS 12 / 05 / 2005
Edição 10: EXCESSOS 14 / 04 / 2005
Edição 9: MAIS DEUSES NA NOSSA VIDA DIÁRIA 18 / 03 / 2005
Edição 8: AO ESPELHO 10 / 02 / 2005
Edição 7: NOMES DE ALIMENTOS 24 / 01 / 2005
Edição 6: COISAS QUE EST?O NO AR 31 / 12 / 1969
Edição 5: VAMOS LER? 20 / 12 / 2004
Edição 4: PRAGAS 06 / 12 / 2004
Edição 3: OS DEUSES ANTIGOS NA NOSSA VIDA 23 / 11 / 2004
Edição 2: DEPOIS DA PARTIDA 08 / 11 / 2004
Edição 1: ALIMENTOS - EMBUTIDOS E FRIOS 21 / 10 / 2004