Edição:  39
07 / 07 / 2007

 

 

 

ASSUNTO DA EDIÇÃO - CONTINENTES

Não, não estaremos falando sobre os cinco continentes, placas tectônicas e assuntos da Terra em geral, não.
Aqui se trata de lidar com a origem das palavras usadas para denominar as numerosas invenções feitas pela humanidade para poder guardar e transportar produtos, sejam eles sólidos, líquidos ou gasosos.

 

CONTINENTE – para começar, obviamente. Vem do Latim continere, “manter unido, abarcar, conservar”, verbo formado por com-, “junto”, mais tenere, “segurar”. “Continente” é o que guarda, que retém, que contém alguma coisa. Daí o nome dado às grandes extensões de terra em que se divide nosso planeta.
A palavra “contêiner” é um aportuguesamento do Inglês container, usada para as grandes caixas metálicas de transporte de carga, principalmente por via aquática.

 

RECIPIENTE – do Latim recipiens, “o que recebe de novo, o que recupera”, do verbo formado por re-, “de novo”, mais capere, “tomar, pegar”.

 

CAIXA – do Latim capsa, nome dos protetores cilíndricos usados para guardar os rolos de papiro de então, época em que os livros não eram feitos com lombada como agora.
Passou a designar um tipo de estabelecimento bancário por analogia com a “caixa” onde era guardado o dinheiro.
O mesmo se dá com a parte dos estabelecimentos comerciais onde são feitos pagamentos e recebimentos.

 

GARRAFA – não há completa certeza, mas parece vir do Árabe garaba, “recipiente para transporte de líquidos”.
Desnecessário dizer de onde vem “garrafão”, né?

 

FRASCO – dizem uns que vem do Latim vasculum, “vaso”. Já outros insistem em que vem do Latim tardio flasco, “pequena garrafa”, de origem germânica.
Seja como for, parece que essa palavra gerou “fiasco” em nosso idioma. Esta palavra italiana se referia às tentativas falhadas de fazer garrafas nas indústrias da época, que acabavam destinadas a frascos, não sendo usadas para fins mais nobres.

 

FRASQUEIRA – é uma espécie de valise usada para levar frascos, geralmente de cosméticos.

 

TONEL – agora passamos para continentes de maior volume. Este recipiente vem do Latim tunna, “couro”, por extensão “recipiente de couro, odre”.

 

ODRE – pouco se usa atualmente esta palavra que significa “bolsa de couro para líquidos”. Ela pode também ser usada para designar um bêbado, tanto pelo conteúdo alcoólico como pela dificuldade de se manter em pé sem apoio.
Deriva do Francês outre, “odre”, do Latim uter, “bolsa, interior de cavidade, útero”.

 

BARRIL – incerta origem; sugere-se o Latim barra, de origem gaulesa, já que o recipiente é feito por barras de madeira.

 

BOTIJA – do Espanhol botella, “garrafa”, do Latim butticula, diminutivo de buttis, “odre, tonel”.
Ser apanhado "com a boca na botija" significa ser encontrado em pleno ato proibido, seja bebendo o líquido alheio, seja metendo a mão no que não lhe pertence.

 

ARQUIVO – é um recipiente para papéis. Ou era, antes da era da Infomática. Seu nome deriva do Latim archivum, que veio do Grego ta arkheia, “registros públicos”, de arkheion, "prefeitura, governo municipal", de arkhé, "governo", literalmente "começo, origem".

 

ESTOJO – deriva do Latim studiare, "guardar, tomar cuidados", de studium, , “zelo, cuidado, esforço”.

 

COFRE – uma caixa-forte, por estranho que pareça, tem seu nome derivado de um cesto. Em Latim, cophinus, era “cesto de vime”, sentido que passou a "caixa reforçada para guarda de bens".
Daí veio também a palavra inglesa coffin, "caixão de defunto".

 

 




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