Se olharmos
para cima, poderemos ver fenômenos típicos de nossa atmosfera.
Em retribuição, eles até podem fazer contato com a gente,
como a chuva que nos molha, o trovão que nos atordoa ou o raio que
nos pode torrar. Enquanto nada disso acontece, vamos ver o que se pode comentar
sobre os seus nomes.
CÉU
- do Latim Caelus, que era como se designava em Roma o que era Ouranós
para os gregos. Este era o deus que personificava o céu, um dos primeiros
a surgirem no Universo.
Ele era
casado com Gea, a Terra. Isso a mesmíssima Terra que agora
está na moda chamar, com ar virtuoso e verde, de "Gaia".
Supõe-se
que a palavra derive de uma raiz muito antiga que significava "brilhante,
claro", donde o céu seria "o iluminado, o brilhante".
O nome
Urano foi aplicado a um dos planetas exteriores (o sétimo a contar
do sol) em épocas mais recentes; os antigos não o conheciam.
Urânia
era o nome da Musa dedicada à Astronomia.
CREPÚSCULO
- do Latim crepusculum, diminutivo de creper, "escuro".
Será que os romanos convidavam as romanas para sentarem no crepusculum
do Circo Máximo para trocarem uns amassos?
Antes
que alguém pense em crêpes Suzettes, informamos que
crêpe vem do Latim crispus, "ondulado, frisado",
(o tecido crepe e o papel crepom têm
a mesma origem) e nada tem a ver com o momento do dia em que está meio
escuro porque o sol ainda não se pôs ou ainda não nasceu.
Isso mesmo,
há dois crepúsculos por dia: um matutino e outro vespertino.
METEOROLOGIA
- em Grego, metá significava "além, mais adiante"
e aeirô, "ergo, elevo, levanto no ar".
Daí
temos a palavra meteoro que, diferentemente do que pensa
a maioria, tem o significado básico de "qualquer fenômeno
natural que se manifeste na atmosfera"
Assim,
a chuva é um meteoro hídrico, o raio é um meteoro luminoso,
o trovão é um meteoro acústico.
Meteorologia
é a ciência que estuda esses fenômenos com o objetivo de
fazer previsão climática, o que tem enorme importância
para evitar desastres naturais e para orientar atividades como a agricultura.
A estrela
cadente que costumamos chamar chamar de meteoro é
dita meteoróide em linguagem científica. Se
for apanhada de onde caiu, é chamada de meteorito.
Meteorismo
é a formação de gases nos intestinos.
NUVENS
- em Latim, diz-se nubes. Como na antiga Roma já havia o costume
de a noiva usar véus cobrindo o rosto durante a cerimônia de
casamento, e estes eram meio transparentes como as nuvens, formou-se o verbo
nubere, "contrair matrimônio, casar".
Dessa
palavra se formaram núpcias, "casamento";
núbil, "apto para casar" (em geral usado
para a mulher); nubente, "pessoa que está por
casar".
De nubes
se formaram também palavras de uso mais raro, como:
Nubifrágio,
com o uso de frangere, "partir, quebrar. romper", significando
"aguaceiro, chuva forte". É como se a própria nuvem
tivesse se partido e derramado toda a sua carga de repente.
Que tal
chegarmos encharcados no trabalho, resmungando contra o nubifrágio
que nos apanhou? Não parece chique?
Nubívago,
com vagare, "vagar, errar, deslocar-se sem destino". Significa
"pessoa que vive nas nuvens". Fenômeno comum entre etimologistas.
Sinônimo: nefelibata.
Núbilo,
nubiloso: "nublado, coberto por nuvens".
Névoa,
neblina: de nebula, diminutivo de nubes.
É alusão à sensação de se estar numa nuvem
quando estamos em meio à neblina. Algo nebuloso é
uma coisa que não se pode distinguir direito porque está meio
oculto, como um negócio escuso.
CHUVA:
vem direto do Latim pluvia, que deu lluvia em Espanhol
e pluie em Francês.
RAIO:
em Roma, era chamado de radium.
RELÂMPAGO:
parece vir de re-, que indica repetição ou reforça
o sentido, e lampadare ou lampadicare, de lampada,
"tocha".
TROVÃO:
do Latim turbare, "confundir, fazer girar, perturbar".
ARCO-ÍRIS:
Íris, para os gregos, era uma deusa que formava como uma ponte
entre o céu e a terra, entre os deuses e os homens. Poético,
bonito, não?
Essa palavra
vem de uma raiz Indoeuropéia wi-, "dobrar, encurvar".
Deste modo, dizer arco-íris é uma duplicação,
pois ambas as partes da palavra dão a noção de arco,
curva.
VÓRTEX:
sinto muito, mas não existe em Português, embora seja cada vez
mais usada por aí.
Esta é
uma tradução incompetente do Inglês vortex, palavra
que os tripulantes das naves espaciais de filme sempre gritam quando surge
algo girando entre as estrelas, ameaçando jogá-los para lá
da casa do Demo.
Com esse
significado temos, em Português, turbilhão e
redemoinho, que descrevem perfeitamente o que acontece nos
tornados que andam tão na moda na TV.
Em Latim
a palavra usada era vertex (assim, com "E" mesmo),
"turbilhão, parte mais alta, o mais alto grau". Daí
vem o nosso vértice.
TURBILHÃO
- já que falamos nele... Vem do Francês turbillion, que
veio do Latim turbo, "que gira". Se algo gira,
tem uso em Mecânica, como se vê das numerosas aplicações
que os derivados de turbo têm nessa área.
REDEMOINHO
- antes era rodomoinho, passando a rodamoinho e à
forma atual. É uma palavra formada em alusão ao movimento que
a roda do moinho efetua para moer o grão.
CERRAÇÃO
- do Latim serare, "fechar, cerrar". Sim, era com "S"
mesmo que começava. Aplica-se ao tempo fechado, com visibilidade restrita.
TEMPESTADE
- vem do Latim tempestas, que além de mau tempo" significava
"época, lapso de tempo" um uso que agora não temos
mais.