Edição:  44
06 / 01 / 2008

 

 

 

ETIMOLOGIA NO MATERNAL - CORES I

Ai, que barbaridade! Mal eu me viro para desenhar no quadro e este grupo de vândalos desata numa batalha corpo-a-corpo que faria inveja aos piratas do Caribe tomando de assalto um navio de Sua Majestade Britânica.

Cri-an-ças! Parem já, senão vou chamar o Michael Jackson para tomar conta de vocês!

Hum, nada como um pouco de suave e sutil psicologia moderna para amansar as feras.

Vamos ver o que houve para causar esta carnificina. Ah, a Aninha pegou o lápis de cor verde da Angélica, que pegou então o da Vera, que apanhou o roxo da Valzinha – não, não queremos saber por que a sua outra vizinha vive de olho roxo, Val, fique quieta – que deu um tapa no Tiago para pegar um outro...

Acalmem-se, sentem aqui ao redor e ouçam, que vou contar a história dos nomes das cores dos lápis que usamos para fazer bonitos desenhinhos – nós exceto o Joãozinho, dê já aqui esse papel, menino, que eu vou rasgar.

Já que tudo começou com um lapisinho verde, saibam que esta cor se chama assim a partir do Latim viridis, "verde". Esta palavra também era e ainda pode ser usada para dizer "vigoroso, novo, com plena força", lembrando o que se observa nas plantas. Mais um exemplo da influência da agricultura na língua latina.

roxo vem do Latim russeus, usado para designar o vermelho-escuro, palavra relacionada com ruber, "vermelho". Por sua vez, esta vem do Indo-Europeu reudh-, "vermelho". Daí vieram o red inglês, o roth alemão, etc.

É muito interessante saber que esse é o único nome de cor que se traça a um antepassado comum tão antigo; todos os outros apresentam histórias bem diferentes.

Não, Ledinha, naquela época eles não se atrapalhavam com os lápis de cor nas aulinhas da caverna por que não havia aulinhas naquela época. As crianças eram postas a fazer alguma coisa de útil assim que tinham alguma coordenação motora. Ah, os bons tempos...

Não, Mariazinha, sei apenas de estudar e ouvir falar, eu nasci um pouco depois disso.

Antes de passar adiante, lembro que o roxo pode ser chamado de violeta, do nome da flor, que era viola em Latim.

Um roxo devagar, um roxo-claro, pode ser chamado de ciclame, do Grego kyklamen, o nome da flor que se apresenta assim decorada.

Um tom um pouco mais avermelhado desta cor se chama lilás, do Árabe lilak.

O vermelho tem uma história interessante. Deriva do Latim vermiculus, diminutivo de vermis, "verme, inseto". É que, em Roma, se extraía um corante vermelho de um inseto, a cochonilha.

Certo, pessoal, eu sei que verme nem sequer tem patas e os insetos têm seis delas, mas naquelas épocas ainda não havia sido feita a sistematização do reino animal, era tudo muito confuso. Eles não tinham tempo para essas coisas porque estavam sempre procurando um motivo para matar uns aos outros.

Outra origem esquisita é a do amarelo, que vem de amarellus, diminutivo de amarus, "amargo".

Há uma relação aí com a bile, que é amarga e é produzida pelo fígado, já seja porque esta, logo antes de se oxidar no ambiente, é de um amarelo-dourado, já seja porque a pele dos que sofrem de certos distúrbios hepáticos fica amarelada.

Sim, o laranja pode ser chamado de um amarelo indignado, essa está boa, Zorzinho. O nome evidentemente vem do da fruta cítrica, que vem do Persa narang.

O azul? Ora este nome vem do Persa lazward, que era como eles chamavam o lápis-lázuli, uma pedra semipreciosa que tem uma linda cor azul-claro.

Certo, ainda há mais cores, mas agora terminou a aulinha e desde deixamos combinado que amanhã vamos continuar com as cores.

 

 




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